França

Por que visitar Vaux-le-Vicomte, o magnífico predecessor de Versailles

janeiro 10, 2017,0 Comments

Drawing Dreaming - visitar o Château de Vaux-le-Vicomte
Deslumbrante símbolo da arquitectura barroca francesa, Versailles é uma das atracções mais populares nos arredores de Paris, mas o que muitas pessoas não sabem é que esta jóia palaciana se inspirou noutra menos conhecida: o palácio de Vaux-le-Vicomte. A cerca de 60km de Paris, este último conta com uma história tão atribulada quanto fascinante, interiores esplêndidos e jardins elegantes, o que faz com que seja imperdível visitá-lo!




Drawing Dreaming - visitar o Château de Vaux-le-Vicomte
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a história de vaux: a inveja de um rei e uma queda lendária
Em 1656, quando Versailles ainda não passava de um mero alojamento de caça, o então ministro das Finanças de Louis XIV, Nicolas Fouquet, decidiu contratar uma talentosa equipa para concretizar o sonho de uma vida: construir um magnífico palácio privado. Reunindo o arquitecto Louis Le Vau, o paisagista André Le Nôtre e o pintor Charles Le Brun, a visão de Fouquet ficou pronta em 1661, tendo este decidido organizar uma festa de inauguração do palácio em honra do rei Louis XIV, sem no entanto saber que a confiança deste tinha sido minada pelo seu rival Jean-Baptiste Colbert, o qual planeava há muito tempo a ruína do ministro, lançando rumores junto do rei de que o palácio de Fouquet havia sido construído com recurso a desvios dos fundos reais.
Vendo a obra que rivalizava com os palácios reais, Louis XIV terá sentido inveja do palácio do seu ministro e nem o poder ou elevado status de Fouquet lhe permitiriam escapar de vir a ser preso três semanas mais tarde, sem sequer ter tido tempo de desfrutar da sua propriedade. Não só Fouquet acabou encarcerado até à sua morte em 1680, como o rei apreendeu até ao último item de Vaux e apropriou-se da equipa que Fouquet tinha reunido para transformar o seu pavilhão de caça em algo que ninguém poderia superar: Versailles.
Ainda assim, Louis XIV nunca conseguiu impedir que o nome de Fouquet perdurasse até hoje através de Vaux-le-Vicomte, obra que reflecte não só o seu legado, mas sobretudo o seu gosto visionário e o seu devotado patrocínio das artes.

Drawing Dreaming - visitar o Château de Vaux-le-Vicomte
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vaux-le-vicomte vs versailles
Se apenas tiverem alguns dias para visitar Paris e pretenderem escolher entre estes dois palácios incríveis, apenas me resta desejar-vos boa sorte, mas se tiverem a oportunidade de visitar ambos, aconselho-vos a começarem por Vaux-le-Vicomte, já que a visita ao mesmo não só vos vai permitir mergulhar na história da época e compreender as tramas que levaram à construção de Versailles, como vos dará um termo de comparação entre os dois palácios.
Enquanto que Versailles surgiu como uma declaração política, Vaux era apenas a casa de sonho de um indíviduo e isso reflecte-se no seu tamanho: enquanto que Versailles é quase impossível de visitar num só dia com os seus vastos interiores e jardins, Vaux é uma residência particular harmoniosa, sendo facilmente explorado numa manhã ou tarde.
A diferença entre as duas propriedades reflecte-se ainda no seu número de visitantes: enquanto que Versailles consegue ser uma experiência stressante, com as suas multidões, em Vaux descobri um palácio em que pude finalmente ter todo o tempo do mundo, observar detalhes e passar de divisão em divisão sem ser empurrada, sem ter turistas a bloquear-me a vista com os seus irritantes selfie sticks ou ser bombardeada com os gritos de guias de turismo que se tentam fazer ouvir em chinês ou russo.
Vaux é elegante, mas sem exageros. Ainda que eu me assuma como uma enorme fã de Versailles, sou a primeira a admitir que Louis XIV não conseguiu tirar de Fouquet a sua emoção pela arte e o seu profundo instinto de beleza que fizeram o desafortunado Ministro das Finanças ser tão querido por todos os artistas que trabalharam para ele!

Drawing Dreaming - visitar o Château de Vaux-le-Vicomte
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o esplendor de vaux
Pessoalmente, considero Vaux-le-Vicomte como uma peça que se abre em vários actos.
Quer venham de carro ou de transportes público, a vossa primeira visão ao sair do estacionamento é o drama da entrada do imponente palácio, rodeado de ambos os lados com aprumados canteiros de erva.
A minha visita começou pelo discreto Museu das Carruagens, os antigos estábulos de Vaux onde encontrarão uma magnífica colecção de carruagens de diferentes estilos que foram maravilhosamente restauradas. Apesar de este denominado museu ser apenas um mero detalhe comparado ao resto do domínio palaciano, ainda assim vale a pena a breve visita.

Drawing Dreaming - visitar o Château de Vaux-le-Vicomte
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Uns meros metros à frente, encontrei-me em frente ao palácio propriamente dito e logo à primeira vista não consegui decidir se o meu entusiasmo provinha da minha faceta de adulta que procurava absorver todos os detalhes da arquitectura ou do deslumbre que todos temos quando crianças que me fez olhar para esta mansão como se tivesse saído de um conto de fadas.

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a transparência ou harmonia revelada

Ao aproximar-me do palácio, retive-me por breves momentos em linha recta em frente ao mesmo e foi aí que fiquei de queixo caído ao ver aquela que é, muito provavelmente, a minha característica preferida de Vaux: a transparência ou harmonia revelada. Longe de mim tentar explicar-vos a beleza desta, mas tentem imaginar que, através da entrada do palácio, a vossa visão atravessa o mesmo, prolongando-se pelo jardim na outra extremidade da perspectiva. Esta experiência visual tem a marca artística do arquitecto Louis Le Vau e do paisagista André Le Nôtre, os quais decidiram abrir seis arcadas a Norte e Sul do palácio, permitindo a quem por aqui passeia apreciar a harmonia que une a arquitectura e a paisagem.

Drawing Dreaming - visitar o Château de Vaux-le-Vicomte
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Passando ao interior, posso afirmar que nem o facto de Louis XIV ter roubado o mobiliário de Vaux-le-Vicomte para o seu projecto de Versailles conseguiu desvalorizar este palácio e suponho que nesse aspecto tenhamos que agradecer à actual família proprietária de Vaux, a qual passou as últimas cinco gerações a restaurar gradualmente o palácio ao seu esplendor original.
Das paredes e tetos dourados de Le Brun às cozinhas abobadadas e quartos mobilados ao mais ínfimo detalhe, a elegância e intimidade da decoração de Vaux quase nos fazem sentir que os seus antigos proprietários ainda vivem no palácio.


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Ao olhar pela janela, obtemos uma ideia da real grandeza dos jardins cujo extraordinário design de André Le Nôtre incluiu o primeiro jardim francês formal com a sua espectacular simetria. De cada ângulo ou perspectiva diferente, pude desfrutar de um novo detalhe que só se revelava ao longo do caminho, já que todo o tipo de ilusões de óptima foram utilizados para criar os jardins, desde piscinas ovais que criam um reflexo do palácio, a canteiros simétricos e longos caminhos de cascalho com uma paisagem ondulante que fazem com que os objectos pareçam mais próximos do que o realmente são (a chamada anamorphosis abscondita ou distorção escondida, que Le Nôtre tão habilmente usou). Caminhando pelo eixo central, abrigado por bosques, vi canteiros, fontes, piscinas, esculturas, topiárias e árvores, mas o mais incrível foi mesmo que de longe quase pude jurar que via o jardim desaparecer no céu luminoso...

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informações práticas

Como chegar: Em Paris, na Gare de l'Est, apanhem o comboio da linha P em direcção a Provins e desçam na estação de Verneuil l'Étang. Existem comboios directos a cada hora (vejam os horários aqui) e a viagem dura cerca de 35 minutos. Na gare de Verneuil l'Étang, apanhem o autocarro "Châteaubus" que liga a estação ao palácio. O preço do bilhete de ida e volta no autocarro é de 10€ (atenção: pagamentos apenas em dinheiro) e a viagem dura cerca de 20 minutos.

Bilhetes: A entrada para Vaux-le-Vicomte custa 15.5€ e inclui a visita do palácio, dos jardins e do museu das carruagens.

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já conheciam a história deste magnífico palácio que inspirou versailles?

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Drawing Dreaming - Vaux-le-Vicomte: guia de visita

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