França

Por que é imperativo visitar o Memorial de Caen, um museu que recorda a II Guerra Mundial

junho 11, 2017,0 Comments

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

Apenas estive um dia em Caen, mas cheguei preparada com a pesquisa já feita e na mão uma lista de tudo o que queria visitar.
Como já é hábito meu, a minha primeira paragem foi mesmo no Posto de Turismo da cidade para recolher mapas, brochuras e informações de que necessitava. Aproveitei para fazer perguntas e, para meu espanto, foi me dito que um dos museus que queria visitar - o Memorial de Caen - me exigiria um dia inteiro do meu tempo. Confesso que a este ponto fiquei desanimada perante a perspectiva de ter que optar por visitar o Memorial ou os demais pontos turísticos da cidade, mas como não queria eliminar algo da minha lista, decidi que iria lançar a mim mesma o desafio de fazer tudo num dia. E sim, é possível.


Mémorial de Caenconsiderado um dos melhores museus sobre a Segunda Guerra Mundial, foi inaugurado a 6 de Junho de 1988, no 44º aniversário do Dia D. Apresentando uma visão abrangente dos anos 1945 a 1989, o museu orienta-nos através de uma monumental colecção que engloba não só as duas guerras mundiais, como também a Guerra Fria e outros conflitos mais recentes, com recurso a filmes e fotografias de época que ajudam a explicar o contexto do conflito, além de itens históricos (tais como aviões, tanques, armas e uniformes).
Com cerca de 630.000 visitantes anuais, este museu é uma merecida homenagem a Caen e actua como forma de reparação a esta cidade que foi largamente destruída durante os bombardeamentos do Verão de 1944.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

À chegada ao Memorial, dou de caras com um vasto (aliás, enorme seria mesmo a palavra certa) prédio de design sólido e minimalista. No exterior, passado e futuro reunem-se enquanto observo uma criança que corre até ao local onde se encontra um casal de reformados. Ambos parecem apreciar - à sua maneira - a enorme estátua que temporariamente adorna o exterior do museu: "The Kiss" do americano Seward Johnson, inspirada na famosa fotografia de um marinheiro que beija uma jovem aquando do anúncio da capitulação do Japão.
Apenas do exterior começo a ter uma percepção da dimensão deste museu com M maiúsculo, ainda que neste momento ainda desconheça que o Memorial tem na realidade uma extensão de 14.000m2, repartidos por três andares, sem contar com os adicionais 80 hectares de jardins.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

Entro no lobby e logo sou ultrapassada por um grupo de crianças em fila indiana que, com entusiasmo e a passo acelerado, se dirigem para o início da exposição. Eu, pelo contrário, não consigo deixar de parar por um momento para ficar fascinada com a enorme recepção do museu e com o magnífico caça-bombardeio Hawker Typhoon que pende do tecto.
Depois de adquirir o meu bilhete, passo os tourniquetes e começo finalmente o percurso deste museu que durante várias horas me iria deixar em iguais partes interessada e perplexa ao explorar as questões sociais em torno das guerras mundiais e investigar as causas das visões extremistas que foram adoptadas em toda a Europa, proporcionando aos visitantes uma compreensão internacional do século XX.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

Na primeira secção do museu, o fracasso da paz, encontramos uma exposição que de forma cronológica nos guia das origens da Primeira Guerra Mundial aos acontecimentos que antecederam a Segunda Guerra Mundial, procurando fornecer explicações de como e porque o desejo de paz mundial acabou por se desintegrar. O fascinante é que, contrariamente a outros museus que já visitei, aqui essa mesma explicação não só explora a fundo as questões a que se propõe responder, como especialmente o faz com recurso a vários métodos interactivos que facilmente envolvem os visitantes, desde poderosas imagens de vídeo de comícios nazis na Alemanha a recortes de jornais franceses, alemães e britânicos traduzidos e enquadrados no contexto da época.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming
Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

Para mim, a segunda parte da exposição, a frança dos anos negros, revelou-se uma das partes mais interessantes do museu. Aqui o tema são os "anos negros" da França que vão da derrota francesa à ocupação alemã e ao estabelecimento do regime de Vichy, procurando perceber como era a vida diária dos civis franceses durante este período. A situação variou ao longo de 1944, mas a ocupação alemã revelou-se insuportável para a população francesa, com dezenas de milhares de pessoas a morrer nos bombardeamentos aliados nos meses que antecederam o Dia D, especialmente nas regiões da Normandia e da Bretanha. Depois de ter visitado a casa natal de Charles de Gaulle em Lille, não pude deixar de ficar fascinada com a igualmente vasta quantidade de informação que o museu contém sobre a resistência organizada face à ocupação alemã.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming
Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

O ano de 1941 marca o ponto de viragem da guerra com a invasão da URSS e de Pearl Harbor, com uma guerra até então europeia a transformar-se numa guerra mundial. A próxima secção do museu, da guerra europeia à guerra mundial, explora este novo curso da guerra ao explicar os principais novos teatros de guerra no Pacífico e na Europa. Aqui poderão descobrir uma exposição que explora temas como a devastadora violência em massa, os julgamentos de Nuremberg e a Batalha da Normandia.
Num dos auditórios do museu, há ainda a possibilidade de assistir ao documentário D-Day, em grande parte composto de arquivos e extratos de filmes que revelam os acontecimentos da véspera do Dia D e a preparação das forças aliadas para o desembarque na Normandia. Noutro auditório, a cada 30 minutos, é exibido o filme A Batalha da Normandia, criado a partir de fotos, animações e imagens geradas por computador para narrar as principais etapas da vitória final na Europa Ocidental.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming
Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

A parte final do museu foca-se no período do final da guerra até à queda do Muro de Berlim, com a segunda metade do século XX a ser contada através de objectos e filmes que relatam a vida antes e depois da queda do Muro.
A exposição continua no exterior do museu, naquele que é para mim um dos seus principais destaques: o bunker alemão sobre o qual o museu foi construído. Não sei se foi o facto de estar sozinha e ter o espaço todo para mim, mas entrar neste antigo quartel general subterrâneo e percorrer os seus 70 metros de túnel para admirar equipamentos usados em combates, armamentos e fotos de como o local costumava ser durante a guerra foi, sem dúvida alguma, uma experiência em iguais partes algo sinistra e emocional.

Desde a abertura do museu, este foi sendo alargado, contando actualmente com a adição de três jardins comemorativos (o Jardim Americano, o Jardim Britânico e o Jardim Canadiano), os quais merecem uma visita, quanto mais não seja pela necessidade de relaxar num local tão pacífico depois de passar horas a explorar um museu de tão elevada carga emocional.

Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming
Visita ao Memorial de Caen - Drawing Dreaming

Quando entrei no Memorial de Caen, estava longe de imaginar o quão emocional e chocante é este museu. Mesmo que não gostem de temas relacionados com a guerra, é quase impossível não aprender e sentir algo ao explorar este memorial da paz.
Se estiverem de visita à Normandia, eu diria que é imperativo visitar este museu para uma análise histórica profunda do século XX como um todo e perceber que cabe a todos nós lutar pela paz e evitar que a História se repita.

informações práticas
Como chegar: A partir do centro da cidade, apanhem o autocarro da linha nº2 em direcção a La Folie - Mémorial (bilhete de autocarro: 1.5€).
Preço: 19€

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